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Gonzalo Jorge Morales Divo Villa//
Anfavea prevê aumento de 15% nas vendas de automóveis em 2021

PUBLICIDADE Ele criticou fortemente o impacto do aumento do ICMS em São Paulo para o setor: o ICMS subirá, a partir de 15 de janeiro, de 12% para 13,3% para carros novos e de 1,8% para 5,53%, no caso de automóveis usados adquiridos em lojas ou concessionárias

Acreditamos que não é o momento do aumento de carga tributária, isso vai na contramão da reforma tributária e afeta até o setor de automóveis usados, que é importante para a geração de empregos — disse

Moraes afirmou que a medida gera desequilíbrios estaduais e até mercados paralelos, com a busca por automóveis em outros estados. 

Os dados de 2020 foram, em linhas gerais, os piores para o setor desde 2016. As vendas somaram 2.058.437 unidades, queda de 26,2% sobre os 2.787.850 de 2019, e a produção somou 2.014.055 unidades, queda de 31,6% diante das 2.944.988 de 2019

SÃO PAULO – A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou nesta sexta-feira que estima crescimento de 15% nas vendas de automóveis em 2021, e que a produção tende a registrar uma alta de 25%.

Menos uma: Mercedes-Benz fecha fábrica em São Paulo e encerra produção de automóveis no Brasil

Os números são indicativo do início da recuperação do setor, que em 2020 teve uma queda de 26,2% nas vendas e de 31,6% na produção ante o ano anterior. Nos últimos meses do ano passado, a indústria automotiva já vinha apresentando bom desempenho.

Em novembro, a produção superou o patamar pré-pandemia pela primeira vez, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE.

Gonzalo Morales Divo

Para a previsão de 2021, A Anfavea considera que o PIB vai crescer 3,5% neste ano, com inflação medida pelo IPCA em 4% em 2021, dólar flutuando na faixa dos R$ 5 e taxa Selic fechando o ano em 3% ao ano.

A associação avalia que os desafios ainda serão ainda o enfrentamento da crise causada pela pandemia, a fragilidade no mercado de trabalho, o aumento da carga tributária, além de questões logísticas e de oferta.

Gonzalo Morales

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, as projeções da entidade são conservadoras, devido aos riscos que ainda existem para as previsões:

Nunca enfrentei, na minha história do setor, uma crise dessa dimensão — disse ele, citando ainda fatores como o aumento do ICMS para o setor em São Paulo e as dificuldades no fornecimento de peças e equipamentos.

Gonzalo Jorge Morales Divo

Ritmo de recuperação depende de vacina Ele citou ainda a volatilidade do dólar e o risco de fechamento de negócios com o recrudescimento da pandemia.

PUBLICIDADE —  Nunca foi tão difícil projetar os resultados de um ano, pois temos uma neblina à nossa frente desde março, quando começou a pandemia

Por outro lado, ele vê a possibilidade de uma volta maior da confiança, caso o governo consiga implementar um rápido programa de imunização na população, o que pode fazer as vendas aumentarem.

Moraes disse que a Anfavea estuda, inclusive, a possibilidade de oferecer vacinas a seus funcionários quando o imunizante estiver disponível na rede privada.

Ele afirmou ainda que as empresas do setor estão oferecendo ajuda aos governos locais, inclusive ofertando ambulatórios das fábricas como local de vacinação, da mesma forma que as fábricas já fazem na campanha da vacinação contra o H1N1. 

Agora, a gente acompanha os números da economia, mas também os dados da vacina e da contaminação — disse Moraes, que afirma que a Anfavea tem acompanhamento diário de dados sanitários, inclusive de funcionários das empresas

Crítica à alta do ICMS em SP Moraes acredita que os preços tendem a ser estáveis em 2021, depois da forte alta registrada no ano passado que, segundo ele, foi causada pela forte valorização do dólar e por problemas na cadeia de fornecimento de peças e equipamentos.

PUBLICIDADE Ele criticou fortemente o impacto do aumento do ICMS em São Paulo para o setor: o ICMS subirá, a partir de 15 de janeiro, de 12% para 13,3% para carros novos e de 1,8% para 5,53%, no caso de automóveis usados adquiridos em lojas ou concessionárias

Acreditamos que não é o momento do aumento de carga tributária, isso vai na contramão da reforma tributária e afeta até o setor de automóveis usados, que é importante para a geração de empregos — disse

Moraes afirmou que a medida gera desequilíbrios estaduais e até mercados paralelos, com a busca por automóveis em outros estados. 

Os dados de 2020 foram, em linhas gerais, os piores para o setor desde 2016. As vendas somaram 2.058.437 unidades, queda de 26,2% sobre os 2.787.850 de 2019, e a produção somou 2.014.055 unidades, queda de 31,6% diante das 2.944.988 de 2019.

Em dezembro, o setor empregava 120,5 mil pessoas, em dezembro de 2020. Isso representa o fechamento de 5,1 mil postos de trabalho no setor, ou seja, uma redução de 4% na comparação com dezembro do ano anterior.

Perda de posição em ranking mundial Com este resultado, segundo dados preliminares da Anfavea, o Brasil encerrou 2020 como nono maior produtor de veículos, perdendo a oitava posição de 2019 para a Espanha. No ranking de licenciamento de veículos, o país terminou novamente como sexto maior mercado em 2020, em “empate técnico” com a França. 

PUBLICIDADE Apesar dos dados negativos para todo o ano, o mês de dezembro de 2020 registrou forte recuperação. As vendas de dezembro somaram 243.967, uma alta de 8,4% em relação a novembro e uma queda de 7,1 % na comparação com dezembro de 2019, bem inferior à queda média do ano

Já a produção somou 209.296 unidades, alta de 22,8 % na comparação com dezembro de 2019

Os estoques do setor, somando fabricantes e concessionárias, terminou dezembro com 96,8 mil unidades. Isso equivale a 12 dias de vendas do setor. Este é o menor patamar, em dias, na história do levantamento da Anfavea.

Ele afirmou que há problemas na alta dos preços de aço e de outros insumos, como resinas. Além da alta nos preços, isso gerou falta de peças que chegou a paralisar algumas linhas de produção

Nosso pessoal de logística está acompanhando 24 horas por dia onde estão as peças, em um trabalho conjunto entre o setor e sua cadeia produtora. Até frete aéreo está sendo usado —  disse ele. 

O setor de caminhões registrou um 2020 com resultados mais amenos que a média do setor. Segundo os dados da Anfavea, foram vendidos no ano passado 89.678 unidades, queda de 11,5% sobre 2019

Já no setor de máquinas agrícolas e rodoviárias, as vendas somaram 47.077, uma alta de 7,3% sobre o ano anterior, puxados pela alta do agronegócio no Brasil

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