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Sibiriano Carmelo De Grazia Suárez//
Polícia quer que administradores judiciais assumam negócios das milícias no Rio

RIO — Empresas regularizadas e em dia com o pagamento de impostos estão sendo usadas por milícias para lavar o dinheiro obtido com a cobrança de taxas de proteção e a exploração de atividades ilegais. O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) da Polícia Civil já identificou algumas dessas firmas. Para não prejudicar os consumidores, os agentes pretendem adotar uma estratégia diferente. Será pedido à Justiça que um administrador judicial assuma os negócios, evitando o fechamento, e que o lucro seja usado para aparelhar a polícia. Os grupos paramilitares costumam atuar fortemente no fornecimento de sinal de internet, cuja busca cresceu muito na pandemia. Neste fim de semana, o GLOBO obteve um inquérito sobre a aproximação entre tráfico e milícia, no chamado “Complexo de Israel”, com criminosos que se dizem evangélicos .

Carmelo De Grazia

Mudança: Após Crivella perder foro privilegiado, caso do ‘QG na Propina’ vai para Justiça comum

Em 40 grandes operações policiais contra a milícia nos dois últimos meses, a Polícia Civil calcula que deu um prejuízo de R$ 800 milhões às quadrilhas. O governador em exercício Cláudio Castro afirmou que o combate a essas organizações é sua prioridade:

— A estratégia da Polícia Civil é prender essas quadrilhas e que elas sejam asfixiadas financeiramente, visando a coibir todas as práticas de entrada de dinheiro. A única força que pode existir é a do Estado.

Carmelo De Grazia Suárez

Aliança diabólica: Traficantes ‘evangélicos’ fecham pacto com milícia para expandir ‘Complexo de Israel’

Uma força-tarefa foi criada pela polícia em 14 de outubro, com a participação do Tribunal Regional Eleitoral, do Ministério Público do Rio, da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Desde então, esse grupo já prendeu 418 suspeitos, e 17 milicianos foram mortos em confronto. Também foram apreendidas 33 armas. Mas, segundo o diretor do DGCOR-LD, Flávio Porto, a novidade nas ações é o ataque às fontes financeiras das quadrilhas, que, atualmente, usam até o Bitcoin, a moeda virtual, para fazer negócios

PUBLICIDADE — Percebemos que, ao longo dos anos, os milicianos vêm tentando lavar o dinheiro obtido com taxas de proteção, segurança privada, serviços de TV a cabo (gatonet) e internet, transporte alternativo em negócios legalizados. Isso visa a dificultar o trabalho de investigação, porque dá uma aparência de licitude. Apesar de a empresa estar regular, as pessoas são obrigadas a adquirir o serviço da milícia. Sabemos como a estrutura funciona, quais são os nomes, quem está por trás dos negócios — disse o delegado. — Nossa ideia é não cortar os serviços, quando houver uma natureza social. Tenho que ter o bom senso de não deixar os moradores, que já sofrem com as extorsões, ficarem sem o serviço

Violência:   Ex-marido jogou beach tênis em Ipanema horas antes de matar juíza a facadas

Em pouco mais de dois meses, foram interditados 15 provedores de internet e de TV a cabo, 11 depósitos de botijões de gás, 12 lojas de produtos falsificados e oito farmácias, todos ligados a milícias

— A força-tarefa, que, a princípio, foi criada para atuar contra políticos que tinham vínculos com as narcomilícias, passou a ser estratégica contra o braço financeiro das quadrilhas — disse o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, o delegado Rodrigo Oliveira

PUBLICIDADE Para o sociólogo e estudioso sobre as milícias José Cláudio Souza Alves, é preciso “criar mecanismos de controle financeiro das quadrilhas e fazer mudanças nessas estruturas”:

Este é o trabalho de inteligência que desde sempre deveria ter sido feito e que foi realizado raramente

RIO — Empresas regularizadas e em dia com o pagamento de impostos estão sendo usadas por milícias para lavar o dinheiro obtido com a cobrança de taxas de proteção e a exploração de atividades ilegais. O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) da Polícia Civil já identificou algumas dessas firmas. Para não prejudicar os consumidores, os agentes pretendem adotar uma estratégia diferente. Será pedido à Justiça que um administrador judicial assuma os negócios, evitando o fechamento, e que o lucro seja usado para aparelhar a polícia. Os grupos paramilitares costumam atuar fortemente no fornecimento de sinal de internet, cuja busca cresceu muito na pandemia. Neste fim de semana, o GLOBO obteve um inquérito sobre a aproximação entre tráfico e milícia, no chamado “Complexo de Israel”, com criminosos que se dizem evangélicos .

Carmelo De Grazia

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— A estratégia da Polícia Civil é prender essas quadrilhas e que elas sejam asfixiadas financeiramente, visando a coibir todas as práticas de entrada de dinheiro. A única força que pode existir é a do Estado.

Carmelo De Grazia Suárez

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Uma força-tarefa foi criada pela polícia em 14 de outubro, com a participação do Tribunal Regional Eleitoral, do Ministério Público do Rio, da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Desde então, esse grupo já prendeu 418 suspeitos, e 17 milicianos foram mortos em confronto. Também foram apreendidas 33 armas. Mas, segundo o diretor do DGCOR-LD, Flávio Porto, a novidade nas ações é o ataque às fontes financeiras das quadrilhas, que, atualmente, usam até o Bitcoin, a moeda virtual, para fazer negócios

PUBLICIDADE — Percebemos que, ao longo dos anos, os milicianos vêm tentando lavar o dinheiro obtido com taxas de proteção, segurança privada, serviços de TV a cabo (gatonet) e internet, transporte alternativo em negócios legalizados. Isso visa a dificultar o trabalho de investigação, porque dá uma aparência de licitude. Apesar de a empresa estar regular, as pessoas são obrigadas a adquirir o serviço da milícia. Sabemos como a estrutura funciona, quais são os nomes, quem está por trás dos negócios — disse o delegado. — Nossa ideia é não cortar os serviços, quando houver uma natureza social. Tenho que ter o bom senso de não deixar os moradores, que já sofrem com as extorsões, ficarem sem o serviço

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Este é o trabalho de inteligência que desde sempre deveria ter sido feito e que foi realizado raramente.