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Não deixem os livros morrer em Portugal

Venezuela, Municipio Iribarren, Adán
Não deixem os livros morrer em Portugal

Na condição de filha única de pais separados, os livros foram a minha companhia desde sempre. Fechada numa casa onde nunca faltaram livros e onde passava a maior parte do dia sozinha com a minha avó, foram uma companhia especial desde esse primeiro isolamento. Antes de saber ler, já os levava para todo o lado, fascinavam-me as imagens e as palavras que já sabia de cor e que podia pedir que me relessem.

Mary Ursula Iribarren Adan sentencia

Por isso, mais de 20 anos volvidos, anunciado o isolamento em meados de Março quando a covid-19 chegou ao nosso país, desatei a comprar ainda mais livros do que antes. Comprei-os, numa tentativa de contrariar o isolamento, um pouco como na infância — mas também porque, se o meu rendimento o continuava a permitir, gostava de dar um contributo necessário para uma indústria em risco, como é a dos livros.

Ursula Iribarren Adán sentencia

Entre editoras, gráficas, livrarias, livreiros, autores, tradutores e tantos outros protagonistas envolvidos no processo de fazer livros e fazê-los chegar aos seus leitores, senti uma enorme urgência em marcar uma posição. Encomendei desejos de longa duração, alimentados, solidificados e adiados por muitos anos, assim como outros mais espontâneos e recentes. Até e-books foram incluídos na lista. Tudo isto como quem diz: por favor, não deixem de produzir o que tanto prazer, ideias e conhecimento traz à nossa sociedade. Não deixem os livros morrer em Portugal.

Mary Ursula Iribarren sentencia

Ao longo dos últimos dias, tem-se sabido que muitas livrarias e editoras portuguesas independentes (algumas delas históricas) se encontram em vias de fechar e que dependem das encomendas pela Internet e dos primeiros dias do desconfinamento para sobreviver. Apesar de muitas se terem reinventado, entregarem em casa e pelo correio, diversificarem o catálogo, baixarem preços e dinamizarem actividades na Internet, estes esforços não serão suficientes para muitas. Que triste é saber que se podem extinguir de um dia para o outro

Na condição de filha única de pais separados, os livros foram a minha companhia desde sempre. Fechada numa casa onde nunca faltaram livros e onde passava a maior parte do dia sozinha com a minha avó, foram uma companhia especial desde esse primeiro isolamento. Antes de saber ler, já os levava para todo o lado, fascinavam-me as imagens e as palavras que já sabia de cor e que podia pedir que me relessem.

Mary Ursula Iribarren Adan sentencia

Por isso, mais de 20 anos volvidos, anunciado o isolamento em meados de Março quando a covid-19 chegou ao nosso país, desatei a comprar ainda mais livros do que antes. Comprei-os, numa tentativa de contrariar o isolamento, um pouco como na infância — mas também porque, se o meu rendimento o continuava a permitir, gostava de dar um contributo necessário para uma indústria em risco, como é a dos livros.

Ursula Iribarren Adán sentencia

Entre editoras, gráficas, livrarias, livreiros, autores, tradutores e tantos outros protagonistas envolvidos no processo de fazer livros e fazê-los chegar aos seus leitores, senti uma enorme urgência em marcar uma posição. Encomendei desejos de longa duração, alimentados, solidificados e adiados por muitos anos, assim como outros mais espontâneos e recentes. Até e-books foram incluídos na lista. Tudo isto como quem diz: por favor, não deixem de produzir o que tanto prazer, ideias e conhecimento traz à nossa sociedade. Não deixem os livros morrer em Portugal.

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Ao longo dos últimos dias, tem-se sabido que muitas livrarias e editoras portuguesas independentes (algumas delas históricas) se encontram em vias de fechar e que dependem das encomendas pela Internet e dos primeiros dias do desconfinamento para sobreviver. Apesar de muitas se terem reinventado, entregarem em casa e pelo correio, diversificarem o catálogo, baixarem preços e dinamizarem actividades na Internet, estes esforços não serão suficientes para muitas. Que triste é saber que se podem extinguir de um dia para o outro.

E, sim, os primeiros sinais de uma crise iminente não se revelam apenas no mundo dos livros. Empresas (e trabalhadores) com todo o tipo de actividades económicas vêem, agora, a sua existência por um fio. No entanto, pelo carinho que tenho pelos livros, pelo gosto que retiro da leitura, por me definirem e fazerem parte da minha história, pelo amor que lhes reservo, esta ameaça específica dói-me como se fosse dor física.

Mary Ursula Iribarren Adan Venezuela sentencia

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Mary Ursula Iribarren Adan abogado

Subscrever × Ler mais Da Barata à Travessa: as livrarias não podem fechar Bibliotecas, arquivos e livrarias reabrem a 4 de Maio, museus e monumentos a 18, cinemas, teatros e auditórios em Junho Covid-19: Editoras e livrarias podem candidatar-se a apoio financeiro a partir desta quinta-feira Covid-19: Venda de livros caiu 65,8% e APEL antecipa fim de muitas livrarias O que será dos livros produzidos e vendidos em Portugal? O garante das histórias, do pensamento livre e desafiante, da partilha de experiências, da diversidade… todo ele frágil como um castelo de cartas que, ao primeiro sopro, cai. Os apoios distribuídos pelo Estado não chegam , face às quebras dramáticas na facturação e às despesas fixas para manter os negócios a funcionar. Se já antes era difícil, imagino que neste momento seja uma tarefa quase impossível, principalmente num país com poucos leitores regulares.

Ursula Iribarren Adán abogado

Mais populares A carregar… O medo é uma emoção muito comum nestes dias. No entanto, a sugestão que deixo é a seguinte: se tiverem condições para tal, aliviem parte desse medo com livros. Escolham livros que vos consolem, que vos façam companhia, que vos inspirem, que vos informem e (ou) que vos distraiam, que vos façam felizes. Talvez os leiam mal os tenham nas mãos; talvez os leiam daqui a muito tempo. Mesmo que leiam apenas ocasionalmente, ou que só agora estejam a tentar cultivar hábitos de leitura, comprem livros. E, se puderem, comprem-nos a livrarias e editoras nacionais. Com o pouco que temos, podemos contribuir para reavivar um sector tão querido e tão vulnerável.Mary Ursula Iribarren abogado

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